Perguntas, dúvidas e respostas

Isso não é para mim. Eu ainda não estou preparado

 

Sempre bom lembrar que São Bento tinha em mente não um mosteiro cheio de gente santa. O caminho é sempre caminho, isto é, a espiritualidade não é a meta em si, mas a via para se chegar a ela. Portanto, fica evidente que a espiritualidade beneditina é para os imperfeitos, para aqueles, reconhecendo-se pecadores, desejam ardentemente chegar à perfeição. Nenhuma espiritualidade pode ter a pretensão de existir para os justos, uma vez que não foi para eles que Cristo veio ao mundo: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mateus 9, 13).

 

Mas isso inclui os divorciados, os homossexuais, a mãe solteira?

 

Sim. Todos. Absolutamente todos. Por muito tempo nós, como Igreja, rejeitamos essas pessoas. O papa Francisco marca o seu pontificado mostrando ao mundo uma Igreja toda ela misericordiosa e acolhedora. Sobre mães solteiras, disse: “Não existe mãe solteira, mãe não é estado civil”. Com respeito aos homossexuais, afirmou, em 2016, que a Igreja deveria pedir perdão pela forma como os tratou até aqui.

 

Eu não vou dar conta de cumprir as exigências de um consagrado

 

São Bento idealizou uma ascese religiosa para leigos, não recorreu a padres para fundar sua comunidade. Isso significa que teria pensado em algo que se inserisse na vida das pessoas ocupadas, e não que os tirasse de suas ocupações. O que une os filhos de São Bento é a oração dos salmos em algum momento do dia, e isso não é um peso para quem se diz cristão. Nossa Associação tem o dever de proporcionar momentos de espiritualidade, mas não há obrigação de estar presente em todas elas, mas deve-se estar na medida do possível, pois a vida em comunidade nos cura de vários vícios e pecados como o individualismo e orgulho, por exemplo, ao mesmo tempo em que reforça virtudes, como a tolerância, a partilha e o amor mútuo.

 

Não quero fazer parte porque alguém me disse para me manter distância desse tipo de coisa

 

A espiritualidade dos associados é a espiritualidade própria da Igreja, pura e simplesmente. Na Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 108, se lê: “quem salmodia não o faz tanto em seu próprio nome como em nome de todo o Corpo Místico de Cristo, e até na pessoa do próprio Cristo” ou, em outras palavras, é a espiritualidade do Corpo Místico de Cristo. O Concílio Vaticano II incentivou as comunidades a recitarem a Liturgia das Horas, a fim de que esse tesouro da Igreja não fique somente com os padres, mas que, distribuído aos fiéis, possam santificar o seu dia por meio da oração. Nesse sentido, aquele que se coloca contra essa espiritualidade, não parece ser Católico e, portanto, alguém a quem não se deve dar ouvidos.

 

Afinal, o que é a Liturgia das Horas?

 

A essência da Liturgia das Horas é a santificação das horas do dia do cristão, através das várias horas canônicas.

Após a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II existem cinco ou sete horas canônicas. São elas: Ofício das Leituras, para ser recitado de madrugada, contudo, reconhecendo as necessidades de adaptação do homem moderno, a Igreja diz que pode ser recitado ao longo do dia, desde que se mantenha o caráter de vigília. 

Laudes ou Oração da Manhã, que é uma oração de louvor dado a Deus pela vida recebida. Atualmente composta de um Salmo, um hino do Antigo Testamento e um Salmo de louvor, de onde provém o nome. Existem alguns outros elementos nessa oração, mas o coração é este mencionado. É nesta hora canônica que se recita o Benedictus ou o Cântico de Zacarias. 

Hora média, que pode se desdobrar em mais três: tércia, próxima das 09h00, sexta, próxima do meio dia e noa, próxima das 15h00. Elas podem ser recitadas como sendo uma só, para não multiplicar excessivamente os horários canônicos. 

Vésperas ou Oração da Tarde, composta por dois Salmos e um hino do Novo Testamento. Recita-se nessa hora o Magnificat, que é o Cântico de Nossa Senhora. 

Por fim, as Completas ou Oração da Noite, composta por um Salmo e o hino de Simeão (Fonte: padrepauloricardo.org)

 

Portanto, a pergunta que se deve fazer é: “O que estou esperando? Por que ainda não aderi a esse caminho?”. Em seguida, há que se perguntar sobre qual a desculpa que damos para não participar de um caminho que quer me levar à santificação: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hebreus 4,7b)

Gostaria de participar da Associação, mas não moro em São Paulo

Nesse caso, há duas coisas, ou talvez, três, a fazer. Uma alternativa é participar, conosco, de um dia de espiritualidade e entrar oficialmente no Ano Probatório e assim, a cada ano, seria interessante nos visitar. Em um segundo caso, pode-se formar um grupo de pessoas que desejem ter a mesma espiritualidade, e então nós iremos até o grupo para recebê-los como nossos noviços. Para isso, é necessário completa comunhão com o pároco local.

Finalmente, qualquer pessoa poderá participar da nossa espiritualidade por aquilo que nos une, ou seja, a observância da Regra de São Bento naquilo que pode ser adaptado ao estado próprio de vida de cada um e a recitação do Ofício Divino. Esses são nossos simpatizantes mas não membros efetivos da Associação